.fashion revolution
- Thays Denti Flores

- 19 de abr. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 13 de fev.

No dia 24 de abril de 2013 uma das maiores tragédias que a indústria da moda já viveu, aconteceu em Bangladesh. O edifício Rana Plaza desabou e causou a morte de 1.134 trabalhadores da indústria da confecção e deixou mais de 2.500 feridos, a construção abrigava em condições precárias e análogas à escravidão diversas fábricas de roupas que produziam para grandes marcas globais.
O movimento Fashion Revolution foi criado após um conselho global de profissionais da moda se sensibilizar com esse desabamento. Realizado inicialmente apenas na data em questão, o Fashion Revolution Day ganhou forças e tornou-se a Semana Fashion Revolution, a campanha #QuemFezMinhasRoupas tem como objetivo aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda e seu impacto - de sua produção ao seu consumo - e conta com suas atividades promovidas por núcleos voluntários, espalhados por mais de 100 países.
Já vamos completar 7 anos de movimento e aos poucos mais pessoas têm entendido a importância do consumo consciente, com isso nos últimos anos mais uma pergunta foi adicionada ao movimento, #DoQueSãoFeitasMinhasRoupas, pois não basta questionar a origem da mão-de-obra, mas também da matéria-prima.
Pelo segundo ano consecutivo, devido a pandemia do COVID-19, essa semana tão importante para a moda sustentável vai acontecer totalmente online, ou seja, de hoje, dia 19 até dia 25, vai ser possível participar de qualquer evento em todo o Brasil diretamente do conforto da nossa casa.
A manhã já foi maravilhosa, com um bate-papo incrível de abertura e a mensagem chave desse ano é: “Direitos, relacionamentos e revolução”, como a Fernanda Simon, diretora executiva do Fashion Revolution Brasil, pontuou é sobre direitos para falarmos sobre os direitos humanos, mas também para falarmos sobre os direitos da natureza, para considerarmos a natureza sujeito de direitos. Relacionamentos para entender e analisar como estamos nos relacionando um com os outros, com a natureza e com toda a cadeia produtiva da moda. E revolução pois só uma mudança radical sistêmica é capaz de revolucionar a moda.
Nessa mesma conversa posso pontuar como pontos altos a fala da Nelsa Nespola, presidente da Justa Trama, sobre o cooperativismo, a consciência ambiental na produção e uso do algodão orgânico como matéria-prima, bem como uma aula sobre preço justo, uma vez que só quem está tentando praticar esses conceitos, que se debate com a crueldade do capitalismo, percebe que só é possível transformar o mundo com atitudes radicais. Precisamos entender o valor da vida humana. A vida do produtor de algodão vale o mesmo que a vida do médico, do engenheiro etc, e só quando a sociedade entender isso vai perceber que todos os elos da cadeia de produção precisam ter condição de consumir o produto que produzem, isso sim é preço justo. A moda é justiça social.
Amanda Costa, ativista climática, com toda sua simpatia e carisma, consegue trazer uma narrativa descentralizada e democrática sobre a sustentabilidade, pautando a diminuição de desigualdades sociais, fomentando uma economia inclusiva, sendo ambientalmente responsável. Já Namastê Messerschmidt, educador e agrofloresteiro, ao comparar o corpo humano e a floresta, nos mostra como temos necessidade da diversidade para a sobrevivência, nem a humanidade, nem a natureza são capazes de trabalhar individualmente, é com o coletivo que somos mais fortes, é necessário trazer o sistema florestal de volta para que a natureza se torne autossuficiente.
Resumir todo o conteúdo do que foi pontuado por Fernanda, Nelsa, Namastê e Amanda chega a ser simplório demais. A conversa completa está aqui no canal do Fashion Revolution para quem, como eu e como eles, entende a necessidade e a importância de compartilhar a informação.
É preciso entender que o amor à moda não compactua com a exploração da cadeia de trabalho nem com a destruição do nosso planeta. E que, falar em futuro é questionar o que estamos vivendo hoje.
Imagens e links:
Plaquinhas Fashion Revolution e Agenda da Semana, eventos principais e por estado, disponíveis aqui nesse link.

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